quinta-feira, 18 de março de 2010

pai

simplesmente sinto-me trocada, sinto-me abandonada no meio do nada. crias-te uma nova família, e deixaste-me para trás. vim viver com a mãe, e foi tudo numa boa. desde há um tempo para cá, isto tem andado numa autentica porcaria, tens cagado completamente em mim, tens-me desprezado, tipo como se fazem aos cães. lá por teres mais dois filhos, mais novos que eu, e por teres uma mulher, não quer dizer que eu seja um zé ninguém. eu era a principal, era a tal que tu tanto adoravas. e agora? agora bem posso relembrar todo o passado. não meto culpa no David e na Carla, porque eles são pequenos, e são bastante amorosos. mas epá, o facto de teres uma nova família, não dá o direito de me fazeres isto. estamos a uma grande distância, tudo bem. mas és meu pai, tens de cumprir esse papel, que não é nada difícil. gostava muito que estivesses sempre a par do que me acontece dia-a-dia, que estivesse mos sempre a ter uma ligação, nem que fosse de um minuto. gostava que me compreendesses, que me ajudasses, quando eu preciso. gostava que tivesses orgulho em mim. gostava ainda mais, que fosses o melhor pai do mundo. sabes o quanto custa, ouvir as minhas amigas, a falarem do pai? a dizerem que o pai é o melhor, que é ele o seu herói. e nas aulas, quando as professoras perguntam 'quem é o vosso ídolo familiar?', e muitas delas respondem 'é o meu pai'. e eu? eu digo que é a minha mãe, porque é ela que está sempre comigo, é ela que vive, o que eu vivo. ela compreende-me, ela ajuda-me, ela ouve-me, ela atura-me, ela diz que sou a melhor filha do mundo, ela orgulhasse de mim. e tu? tu podias ser igual, mas o que te falta é a força de vontade. mas um dia, hás de vir pedir desculpas, e eu hei de dizer 'tarde de mais' :c e amanhã, é o dia do pai, mas para mim, é um dia igual aos outros. porque nem sei se o que tu és, é ser pai. e até mais, só de falar em ti, e de me pôr a contar esta história, a quem me pergunta, fico enervada, mas ao mesmo tempo, mal.

quarta-feira, 17 de março de 2010

será?

Não consigo deixar de pensar no passado, nas coisas que passei, nas vezes em que passava horas, e horas a chorar, ou nos dias que só me apetecia desaparecer de tanto sofrimento. Porquê? Porque te amava mesmo, amava-te mesmo profundamente. Só eu é que sabia explicar, dentro de mim, o quanto grande era o sentimento, o amor que eu não conseguia demonstrar. Tinha medo de lutar, tinha medo de avançar, tinha medo que me desprezasses e que me desses com os pés. E foi mais ou menos isso que aconteceu. A tua paixão era outra, e eu no meio disso tudo, era a vítima, que sofria sempre. Fui tipo, uma boneca, fazias e aproveitavas-te de mim, quando tinhas tempo e te apetecia. Mas eu cresci, e aprendi muitas coisas, e hoje, já não sou a miúda, que caía sempre nas tuas conversas de chocha. Hoje, és tu que andas atrás de mim, e sou eu que te dou com os pés. Sim, talvez, lá no fundo, mesmo que tenha passado algum tempo, eu ainda sinta alguma coisa de especial. Mas não sei se quero voltar, não sei se quero dar-te essa oportunidade, não sei se quero voltar a repetir aqueles dois anos. ‘ele está a ser sincero, ele ama-te mesmo, e agora é mesmo de verdade, acredita xana’, é o que toda a gente me diz. pode ser verdade, podes até amar-me muito, mas achas que eu ia esquecer tudo, ia largar tudo o que tinha nas mãos e ia a correr prós teus braços? Não, nada disso. Preciso de tempo, e de espaço. Preciso de pensar, e repensar, e voltar a pensar. preciso de ter certezas, ainda mais certezas. Preciso de provas, preciso de tudo o que um rapaz sabe dar, pra demonstrar o seu amor, a uma rapariga. Não vou dizer que me és indiferente, porque não o és. És aquele tal, aquele rapazinho, que até me põe com sorrisinhos na cara. Talvez uma amizade grande, e não passe mais disso. A sério que já tentei, e já estive mesmo decidida a voltar, esquecer o passado, e ver como é no futuro, mas não consegui, parei a meio. Não tive coragem, é o que me falta. E a insegurança, é o que me causa mais problemas. Talvez é também por não ter em ti, a confiança necessária.